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Paulo Passos, da ABRACCE, fala sobre os impactos do COVID-19 no setor de eventos

Paulo Passos é diretor executivo da ABRACE&ABRAFEC – Associação Brasileira de Cenografia e Estandes. Atua também como diretor do IBEV (Instituto Brasileiro de Eventos), coordenador do comitê ABNT 142 -Comissão de Estudos Especial de Gestão de Eventos – 2019 – 2020.

Ex-gerente de projeto setorial da APEX, trabalhou em seis centros de feiras e convenções no Brasil tendo sido ainda, diretor da ABEOC-SP e da ABBTUR-SP.

Como você avalia os prejuízos para o seu segmento e para o setor de eventos do Brasil com o COVID-19?

Incalculáveis! O trade de eventos trabalha com uma matéria de prima: pessoas! No momento que, todos os eventos estão proibidos ou foram cancelados/adiados, toda a cadeia produtiva foi impactada. Estamos falando não só de montadoras e empresas de cenografia, mas de – literalmente – todos os profissionais e empresas envolvidas. O fato é que fomos o primeiro setor a ser prejudicado com a pandemia e isto não ocorreu de forma lenta. Foi uma parada completa, radical e total. A ABRACE vem acompanhando o “andar da carruagem” do setor e em especial de seus associados tentando com informações e consultorias minimizar, quando possível, os impactos gerados pela pandemia.

Muitas montadoras já tinham sido contratadas e algumas até pararam seu trabalho em meio a montagem nos primeiros cancelamentos/adiamentos de eventos. Como fica a relação montadora x cliente? Os contratos foram mantidos?

Em situação tão adversa e única como a que estamos passando, acredito que o diálogo e o bom senso podem trazer resultados e até fortalecer o relacionamento em ambos. Um associado, por exemplo, que ao se deparar com uma solicitação inicialmente de desistência de um cliente por conta do coronavirus e conseguiu reverter em um negócio futuro, não precisando gerar mal estar e nem gastos que o cliente não achasse justo.  Como nenhuma situação é igual a outra, a ABRACE disponibilizou para seus associados uma ampla consultoria jurídica que, quando solicitada, analisa caso a caso os contratos entre as partes, orientando a melhor situação.

Quais tem sido as principais solicitações dos associados junto a associação? Quais medidas estão sendo (e serão tomadas)?

Consultoria jurídica está sendo a grande solicitação. O que fazer com contratos? E com os funcionários e colaboradores? Impostos, o que fazer? Diariamente estamos em contato com nossos associados, orientando e divulgando as principais notícias e encaminhamentos neste novo cenário que vivemos. Se existe um momento em que juntos somos mais fortes, o momento é este!

No caso das solicitações feitas juntos ao governo, já ocorreram respostas?

A ABRACE encaminhou solicitações para o Congresso Nacional, para o Executivo, bem como para os governos estaduais e municipais, sempre, utilizando nossa rede de relacionamento. Estamos acompanhando desdobramentos. Outro fato a ser ressaltado foi a união das principais entidades do setor que juntos emitiram e entregaram manifestos com as diversas reivindicações do setor.  As respostas ainda que tímidas, estão vindo através de decretos e normas que estão sendo amplamente divulgadas.

Veja, estamos falando de um dos principais setores econômicos do Brasil. A sobrevida e manutenção das empresas montadoras de estandes e de cenografia representa muito mais do que tributos. Representam milhares de empregos diretos e indiretos que são gerenciados por nossas empresas. Fomos o primeiro setor a ser penalizado com esta pandemia. Diversos eventos não só foram cancelados, mas alguns o foram no meio da montagem gerando enormes prejuízos empresariais e sociais.

O que mais me preocupa, é se ajuda financeira não chegar logo, ou mesmo se os recursos ficarem apenas nas mãos de grandes corporações – como já vimos antes. Pequenas e médias empresas geram milhões de empregos e são peça fundamental na economia. A retomada dos eventos – em especial feiras e exposições – será ferramenta crucial na retomada. Mas para isto o Governo Brasileiro  terá de se espelhar em algumas das principais economias do mundo e prover pacotes de ajuda, ou melhor, de sobrevivência ao setor.

Existe estimativa das empresas de realizar demissões neste período?

A pergunta correta é: quanto tempo levará este processo? Poderemos estar falando não só em demissões, mas também no fechamento de empresas. O empresariado do setor de montagem e cenografia está lutando com todas as armas que estão a sua disposição para não só manter postos de trabalho, mas para colaborar com toda uma rede de colaboradores individuais que dependem de suas empresas. Sem ajuda efetiva e rápida dos governos, não há como sair vitorioso. Estamos em uma guerra!

Hoje a agenda de adiamentos e/ou cancelamentos já atinge eventos marcados para o final de maio. Haverá no segundo semestre a liberação de uma demanda reprimida muito grande. Com as adaptações que serão necessárias neste período de “recesso”, as montadoras estarão preparadas para as entregas?

A questão se define com a velha máxima do mercado, a oferta e a procura! O que deve acontecer no segundo semestre é um aumento exponencial pela procura de montadoras e empresas de cenografia. Serão todos atendidos? Somos parte crucial de um setor que se reinventa todos os dias, parte de um ecossistema que só se manterá com a participação de todos os players do mercado. O fato é que as empresas expositoras mais estruturadas – e/ou com visão a longo prazo – não só manterão seus contratos mas também irão definir e fechar seus contratos neste momento, procurando assim garantir seu fornecimento com a qualidade e valor que desejam.

Após toda a crise passar, quanto tempo você avalia para o setor se recuperar?

Dependerá muito de fatores já comentados: quanto tempo, quais serão as ações governamentais de apoio e o comportamento de cada um de nós.

Fonte: Portal Radar > www.portalradar.com.br